sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

tenho ciúmes desse cigarro que fumas tão distraidamente
ou
aquilo que me corrói por dentro
ou
como você não repara quando estou ao seu lado

pois você se importa mais em olhar para os outros e sentir um prazer sujo e efêmero do que sentar comigo e ajeitar seu corpo no meu. e não importa o que eu te fale, você só se lembrará depois, dizendo a qualquer outra pessoa aquilo que era interessante. e - como estou sempre ali - são as outras presenças que fazem a noite agradável, as horas válidas.
você não percebe, você não acha que faço as coisas pra te agradar. você não faz nada pra me agradar. a fumaça do seu cigarro entra em mim e embrulha meu estômago, me dói uma dor de vida-sem-saída. só porque tem um maço de hollywood em cima da mesa e você pensa que essa fraqueza é prazer.
eu sei que as pessoas fumam pra não se sentirem sozinhas, pra terem algo entre as mãos. eu te chamo, te olho nos olhos pra você entender: você tem algumacoisa agora entre as mãos - eu. mas isso não é o bastante, isso não é o que vale. então alguns passos nos distanciam e seu pensamento vai pra um lugar aonde nunca serei chamada-levada-benvinda. meu pensamento tenta ir atrás do seu, entender o que desvanece junto com a fumaça mal-cheirosa e escura que sai dos seus lábios tão bonitos. porque, sim, você fica maravilhosa fumando, tem um charme que ninguém tem; mas é um charme triste, incômodo.
você sabe disso, não sabe?
e eu sei também que um tanto disso é exagero meu. mas você não imagina como coisas-ruins parecem se acumular no meu peito enquanto o ar ao nosso redor fica mais denso, difícil de respirar.
eu queria que você entendesse.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

sonho sem delírio

todo o nó que é angústia e dor, esse, que fica bem aqui no meio do peito, implodindo. é tanta coisa que ele não mais cabe - tudo se acaba. tudo permanece nada. e, então, o que resta de repente é um céu bem azul com algumas nuvens. lá, eu flutuo, com um sorriso de quem não pensa em coisa alguma. alma plena, inocente. vivo no paraíso.
não existe nada além. é quase uma descoberta, dá vontade de rir - o que vem depois de tudo é isso! e só aí percebo que oqueveioantes não mais está lá. não há lembrança. só imagens planas, bem lembradas, panos de fundo do que a minha cabeça pensa: . não há nada lá. nada aqui. e a leveza de agora (contraposta ao insuportável peso imediatamente anterior, angústia sólida anti-bigbang) é a sensação engraçada de não ser mesmo um corpo, mas o único espaço de ar em todo o universo: tudo é matéria, moldada em torno disso que é vácuo, que sou eu.
feito sob medida.

[bem distante
bem melhor
diferente e só]

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

queria ser eu o seu universo inteiro.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

(decidida, que me ama)

cantando em voz alta, guardando no peito o quente do abraço e sorrindo a alegria.

desejando um começo delicioso ao meu amor.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

mensuras

qual é a medida do meu querer?

qual deve ser a medida do nosso amor?




é uma coisa tãoforte que grita, que arde, pulsa e assusta.
é uma coisa que enche o peito, que suspira, que navega e flutua por ares e mares desconhecidos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

(sargaço mar, sargaço ar)

correr até não reconhecer mais-nada, até chegar do outro-lado (do que não sei).

na outra margem.

o que é que tanto a gente tá buscando? não é nada; não é?
não é nada, e todomundo sabe disso, e toda-gente sabe disso. mas todos continuam buscando. por quê?
a gente fica querendo, esperando. o-quê?
a humanidade só conhece as tristes-noites, quando ficamos esperando um barco atracar no cais. todos-os-dias, todas as noites precisamos lidar com o que não chegou. a morte não chegou, a vida não chegou. o que chega é a manhã, mais um dia, e uma maldita esperança que nos desperta.

eu queria entender pra quê.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ter que esquecer um amor não é a coisa mais-besta que existe?

terça-feira, 7 de junho de 2011

"dispa-se delicadamente"

eu queria fotografar cada parte-sua que eu gosto, pra te guardar inteira.

fotografar cada curva, cada linha;
os cabelos bagunçados, os fiozinhos finos na nuca, as pintas espalhadas pela pele,
seus dedos finos, seus olhos doces, sua boca [a boca eleita entre todas];
queria guardar seus cílios grossos, suas sobrancelhas cheias, suas quase-sardinhas,
sua dobra embaixodobraço(sorriso), seu sorriso, seu nariz;

eu queria guardar o jeito como metade-do-seu-rosto me olha quando você tá deitada do meu lado,
a outra metade afundada no travesseiro, você olhando um pouco pra cima, procurando meus olhos minha boca meus traços, e sorrindo um meio-sorriso.

[eu queria você.]

anatomia

mãos;
pulsos;
antebraços;
ombros femininos;
pescoço feminino;
costas masculinas;
barriga feminina;
pernas masculinas;
colo feminino;
nuca;
joelhos;
curvas femininas;
ângulos masculinos;

quinta-feira, 2 de junho de 2011

leito desfeito

eu não quero saber onde isso vai dar. não agora. não importa, não é? eu penso: onde será que isso vai dar? mas acho que mais confio que isso vai dar nalgum lugar, não importando onde. como o leito de um rio. (mas eu sei o mar, e aí?) eu queria saber quando. o dia d'eu saber. tenho medo de passar. a água não para quando chega no mar, ela mistura e revolta, não para.

domingo, 1 de maio de 2011

pra outro lugar

ignorando o que não é agora, que daí tanto faz. eu queria? queria. mas. não vou mais brincar de "mas". é sim ou não, escolha, sem variantes, variáveis. os caminhos não mudam até chegar nas encruzilhadas. e parei de procurar atalhos desvios retornos. nas horas certas, eu escolho. tá certo.
(vou aceitar que há possibilidades que não existem. não há certeza. nem tudo há. eu não preciso saber, eu não devo saber, eu não sei - o que vem.)
as estradas paralelas. ah, vida, tenta ter mais graça, vai! às vezes a gente se encontra, quem sabe.
tou tentando saber se gosto mais (ou menos) das encruzilhadas ou dos longos caminhos, (in)certos. ou, ainda, se não tenho é pressa de chegar - a algum lugar; ou àquela estrada que corre tão perto e tão longe de mim. [é, não me importa chegar - é isso o que eu quero.]

- eu tinha entendido tudo isso,
então o caminho acabou.

don't let it show

buscá-la - buscar-me.
sempre diário, um ensaio. praquilo que não se fará nunca, pro que é como impossível de se alcançar.
não (me) resta nada.

terça-feira, 26 de abril de 2011

good is better than perfect

e tudo bem, não é?
não fomos jantar, não aproveitamos loucamente os minutos que tivemos pra nós, não nos abraçamos pra-sempre na despedida. mas dividimos o sono da tarde, cantamos juntas - tentando alcançar vozes que não são as nossas, nos abraçamos.

e a música tocada de manhã voltou, agora à noite, enquanto imagino o sono que não vejo, mas conheço, e sinto e amo de longe.

what comes is better than what came before
(and you'd better come come come come to me)

te chamo te peço. e sorrio um amor antigo que cresce cada-vez-mais. repito a frase.
e recomeço
I do believe in all the things you say

sorrio o jantar que tive, mesmo sem você. me acalma a vida, idealizada e melhor-ainda vivida.
(que a palavra pura é até mais-poesia, parece.)

segunda-feira, 28 de março de 2011

os olhos cheios de cores

A minha casa era clara, toda em branco, colorida apenas pelas falhas que eram os vidros tão transparentes das janelas, por onde o azul me invadia. As pessoas também pareciam mais cheias de luz (não necessariamente cheias de vida) e quando eu me olhava nos espelhos encontrava um rosto de palidez assustada onde se perdiam dois olhos claros, brancos, verdes, com o negro quase inexistente, numa serenidade transparente. Talvez fosse a luz, mas lembro que todos que entravam naquela casa tinham algo de irreal e eu enxergava além deles; por isso, quando eles entraram, eu demorei a acreditar, e pisquei algumas vezes, sorri um meio-sorriso e me virei para deitar na cama, tão branca contra a pintura branca que pensei que cairia direto no chão. E eles foram entrando. Espalharam-se pelo quarto, colocaram-se ao meu redor, não paravam de me olhar. Tentei olhar pela janela para saber que o azul e as formas ainda existiam, mas um rosto branco sombra-luz se colocou na minha frente e, então, tudo o que eu conseguia enxergar eram irrealidades sem forma nem cor, e elas-eles falavam comigo. Eu me sentia sendo puxada pra um lado e pro outro, cada um deles queria me dizer alguma coisa e eu não sabia quem deveria ouvir; talvez uma daquelas vozes fosse a que me salvaria daquele inferno cândido, mas eu não queria escolher: aos poucos aquela confusão de vozes, chamados, pedidos e toques foi me embalando e eu já não podia sair disso. Não queria calar nenhuma das vozes. Por aquele tempo, pelo menos, eu estava protegida, se atendesse a algum daqueles apelos eu entraria de vez em alguma outra (ir)realidade, indo até o fundo: veria o rosto da voz, ouviria com clareza o seu canto e nunca-mais aqueles outros, e cessaria o ruído, cessaria o branco (claro). Como escolher uma única cor para preencher a ausência-presença de todas? Eu deveria ver o preto, o negro mais negro de tanta cor, mas eles estavam tão-ali que eu não podia ver – e me restava o branco. As vozes rebatiam na cal das paredes, do teto, do chão; inexistências me convidavam e seduziam com seus toques transparentes. Pisquei, num segundo, e minha alucinação julgou enxergar uma cor; pisquei novamente – vermelho, depois vislumbrei um verde vivo; a cada piscada uma cor e uma voz se revelavam, apagando as outras, cada vez um tom: (...) – azul. (...) – laranja. (...) – roxo. (...) fechei os olhos longamente e aquela pausa me deixou tonta: via como num caleidoscópio as cores todas espalhadas pela falta do olhar, e um silêncio escuro. Devagar reabri os olhos e eu estava sozinha, de verdade – só eu, sem-cor. Aos poucos me voltou o sangue e eu pude enxergar em meu corpo as marcas daquela ilusão; os toques, as cores, os gritos – as lembranças. A casa continuava clara, me olhei no espelho frio, me vi vazia. Pelo vidro vi um azul pálido, branqueando. Não sabia escolher as cores, mas naquele momento entendi que ainda pior que calar as outras existências seria seguir naquele vazio: isolada numa claridade asséptica e sem vida. Foi quando eles voltaram e me assustaram: fui surpreendida de olhos arregalados para um branco sujo, assim, logo comecei a definir seus contornos, meus olhos foram voltando e eu pude vê-los. |E vi a todos, e vi as cores. E elas e eles se espalhavam pelo vazio feito areia jogada no vento, e semeavam formas. E as formas não eram únicas e não tinham apenas uma-cor: eram coloridas como se fossem um desenho de criança – as vozes entoavam cirandas e conversavam entre elas. A minha casa continuava clara, não mais branca: a luz se dividia em milhares de cores, meu olhar de prisma girava pelas paredes e eu me via envolvida numa tontura irreal e alegre. Foi então que te vi – cinza; foi que você me pareceu variação do branco, do antigo branco, e um amor nostálgico se instalou em mim: as vozes todas se calaram, novamente, na minha cabeça; eu quis vomitar a transparência que me crescia pelo corpo, quis ser forma, ter forma, ser corpo para te tocar. Era cinza que era feito entre preto e branco e que, contra o céu, assumia um tom perto do verde, verde claro, aguado do olhar. Você não dizia nada. Era cinza de fogo e seus olhos brilhavam mesmo vermelhos naquela imensidão. Abri uma mão que julgava inexistente e aproximei de você, sua mão clara e real imitou e tocou a minha, de leve, de mentira, e nossos corpos tremeram negros, sombras, no envolvimento claro de nosso olhar. Eu te abracei e você perdeu a cor – através de você eu via os outros coloridos, formados e pausados como num filme que virou quadro. Continuei a te abraçar, sem muita força, e – com o olhar – me despedi daquela visão, me despedi de tudo o que era existência, tudo o que era real e cor, e apertei forte os olhos. Apertei forte os olhos abraçando o ar à minha frente e desejando aquela calma, a serenidade, a palidez: a falta-do-tudo ao invés dele próprio. Quando reabri os olhos, estava sem cor, mas aquela pressão contra o meu corpo denunciava alguma presença no meio daquela ilusão: pisquei os olhos e você foi me voltando – cinza – enquanto eu continuava a te abraçar. Feito eu estivesse à beira da morte, te apertava forte e soluçava de leve, os olhos chorando um mundo apagado. Você – corpo – me levou pela mão até a janela, de onde me mostrou um mundo todo – azul – feito de formas – cores – e verdades. E uma voz rouca, cinza, disse claro para mim: você está em toda-parte. Voltei meu olhar, então, e, no vidro-frio de seus olhos, me vi refletida, irreal contra a luz clara que me invadia junto com o céu; entre o mundo e o vazio encontrei você, entre o negro e o branco: te escolhi e já nenhuma cor me falta e já nenhuma sombra me assusta: cinza encontrei minha paz, nessa serena forma que encaro todos os dias contra a parede branca e o mundo arco-íris.|

[24.08.2008]

segunda-feira, 14 de março de 2011

mas mesmo assim foges de mim

porque quando tudo é possibilidade, tudo é incerto.
tudo pode e nada é. quase-sempre assim.
e isso é motivo, então, pra fechar os olhos e ir?
(penso que sim, mas pra apenas ir, sem caminho.)

e veio, no exato agora, sem procura, sem nada:
Coração mistura amores. Tudo cabe.

me deixo não dizer mais nada. e sorrir só, de lado, um pouco - de ser coisa tão-bonita e de deixar guimarães dizer o que eu já sabia certo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

alabama, arkansas

depois da melodia calma e mais linda do mundo a gente precisa gritar um pouco essa alegria.

uma certeza.
um pedido, depois.

é sempre assim.
e mesmo a alegria vai tão fundo que até dói.
vontade do mundo inteiro. (que fica bem aqui.)

visions fail and all the circuits blow and the message lost in this machine (oh)
I'll try, you know I'll try
and hard as it may be -

e não sei mais.
(I don't think I'll find a love - I want)
por isso tudo é só corpo e ar e voz gritando

oh, home, let me come home
home is wherever I'm with you!

e por um pouco não me importa quem seja esse, essa. quem seja.
só importa uma casa, e buscar por ela.

[deep, deep in love]

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

e agora tento entender o quê, agora.
onde me reconheço? qual palavra me diz, ainda, exatamente?

hoje, não sei. não tem tom, não tenho. hoje a vida é de uma solidão imensa - perto da morte, perto.

a verdade, hoje, é essa dor alta, que é no peito, no pescoço, que é bem-dentro.
estou cega, e enxergo tão-bem. hoje sou só eu, dentro das histórias dos outros. dentro de mim. perdida aquidentro, querendo arrancar minha pele, pegar na mão esse mal-estar, me desfazer.
um grito.

me livrar disso.

dizer sim.