tenho ciúmes desse cigarro que fumas tão distraidamente
ou
aquilo que me corrói por dentro
ou
como você não repara quando estou ao seu lado
pois você se importa mais em olhar para os outros e sentir um prazer sujo e efêmero do que sentar comigo e ajeitar seu corpo no meu. e não importa o que eu te fale, você só se lembrará depois, dizendo a qualquer outra pessoa aquilo que era interessante. e - como estou sempre ali - são as outras presenças que fazem a noite agradável, as horas válidas.
você não percebe, você não acha que faço as coisas pra te agradar. você não faz nada pra me agradar. a fumaça do seu cigarro entra em mim e embrulha meu estômago, me dói uma dor de vida-sem-saída. só porque tem um maço de hollywood em cima da mesa e você pensa que essa fraqueza é prazer.
eu sei que as pessoas fumam pra não se sentirem sozinhas, pra terem algo entre as mãos. eu te chamo, te olho nos olhos pra você entender: você tem algumacoisa agora entre as mãos - eu. mas isso não é o bastante, isso não é o que vale. então alguns passos nos distanciam e seu pensamento vai pra um lugar aonde nunca serei chamada-levada-benvinda. meu pensamento tenta ir atrás do seu, entender o que desvanece junto com a fumaça mal-cheirosa e escura que sai dos seus lábios tão bonitos. porque, sim, você fica maravilhosa fumando, tem um charme que ninguém tem; mas é um charme triste, incômodo.
você sabe disso, não sabe?
e eu sei também que um tanto disso é exagero meu. mas você não imagina como coisas-ruins parecem se acumular no meu peito enquanto o ar ao nosso redor fica mais denso, difícil de respirar.
eu queria que você entendesse.