acontece que eu não sei por que eu tou chorando.
acontece que eu não quero fazer isso. e que não quero tampouco ficar aqui escrevendo.
acontece que não sei mais caminho nenhum pra fugir disso.
e que "isso" eu não sei o que é.
[queria pensar que minha mãe chegar vai acalmar isso tudo, que sentar com o meu pai pra ficar ouvindo discos na vitrola vai me fazer esquecer que tudo dói.]
mas tudo dói.
mesmo meu corpo dói, como para lembrar-me de que ele existe, que ele é eu, eu sou ele.
eu queria saber pra onde ir. o que fazer. por que fazer.
queria querer.
(apolo onze, luna clara.)
seguir em frente.
como funciona isso?
um ponto final.
no que foi tão-bom.
mas vá, que seja, um ponto.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
troubled waters
de um instante pra outro: tudo me invadindo de novo, feito uma enchente silenciosa por dentro do meu corpo, vem não-sei-de-onde e navega, aquática, pelos meus caminhos todos - pernas, pés, braços, tronco, ventre, olhos, garganta: chegando, como sempre, às pontas dos meus dedos.
(não sou eu, mas nós somos tão parecidas, às vezes. não? eu penso.)
[sometimes is like being in chains]
it's coming round my soul (it's way beyond control)
{i'm gonna drown}
(tento me desvencilhar da repetição, da reprodução, mas gosto da clareza, da exatidão das palavras, e essas são claras e exatas como nenhuma outra poderia ser. - e ainda as acompanham esses três-acordes repetidos que ficarei sem saber quais, mas que também me dizem quase tão perfeitamente quanto as palavras.)
(não sou eu, mas nós somos tão parecidas, às vezes. não? eu penso.)
[sometimes is like being in chains]
it's coming round my soul (it's way beyond control)
{i'm gonna drown}
(tento me desvencilhar da repetição, da reprodução, mas gosto da clareza, da exatidão das palavras, e essas são claras e exatas como nenhuma outra poderia ser. - e ainda as acompanham esses três-acordes repetidos que ficarei sem saber quais, mas que também me dizem quase tão perfeitamente quanto as palavras.)
quinta-feira, 27 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
de uma distância
onde é que eu fui parar
aonde é esse aqui
não dá mais pra voltar
por que eu fiquei tão longe?
tão longe
onde é esse lugar
aonde está você
não pega celular
e a terra está tão longe
tão longe
não passa um carro sequer
todo o comércio fechou
não tem satélite algum transmitindo notícias de onde eu estou
nenhum email chegou
nem o correio virá
e eu entre quatro paredes
sem porta ou janela
pro tempo passar
dizem que a vida é assim
cinco sentidos em mim
dentro de um corpo fechado
no vácuo de um quarto
no espaço sem fim
aonde está você
por que é que você foi
não quero te esquecer
mas já fiquei tão longe
tão longe
não dá mais pra voltar
e eu nem me despedi
onde é que eu vim parar
por que eu fiquei tão longe?
tão longe
[(tão)longe]
http://www.youtube.com/watch?v=TBCFsFIUCf8
aonde é esse aqui
não dá mais pra voltar
por que eu fiquei tão longe?
tão longe
onde é esse lugar
aonde está você
não pega celular
e a terra está tão longe
tão longe
não passa um carro sequer
todo o comércio fechou
não tem satélite algum transmitindo notícias de onde eu estou
nenhum email chegou
nem o correio virá
e eu entre quatro paredes
sem porta ou janela
pro tempo passar
dizem que a vida é assim
cinco sentidos em mim
dentro de um corpo fechado
no vácuo de um quarto
no espaço sem fim
aonde está você
por que é que você foi
não quero te esquecer
mas já fiquei tão longe
tão longe
não dá mais pra voltar
e eu nem me despedi
onde é que eu vim parar
por que eu fiquei tão longe?
tão longe
[(tão)longe]
http://www.youtube.com/watch?v=TBCFsFIUCf8
something
meu corpo não me pede licença pra arrepiar inteira a pele, pra estremecer.
se uma história linda inteira me invade ao simples olhar de uma foto, eu não posso evitar o sorriso; eu não sei guardar as batidas fortes do meu coração tão-fundo quanto guardo as minhas memórias.
[you're asking me: will my love grow?
i don't know, i-don't-know]
salto pra fora de mim: salto pra isso que é completamente (in)certo - trabalho só das minhas palavras.
se uma história linda inteira me invade ao simples olhar de uma foto, eu não posso evitar o sorriso; eu não sei guardar as batidas fortes do meu coração tão-fundo quanto guardo as minhas memórias.
[you're asking me: will my love grow?
i don't know, i-don't-know]
salto pra fora de mim: salto pra isso que é completamente (in)certo - trabalho só das minhas palavras.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
(naval)
sonhei essa noite. sonhei muito, que me lembre.
ficou a imagem de um mar-inteiro dentro de uma casa.
uma imagem linda.
com um barco a navegar.
a casa - tenho certeza - era a beira-mar. tinha as paredes caiadas e os batentes de portas e janelas de um azul-céu.
o barco tinha as mesmas cores.
a porta era o porto, era cais,
de onde nos despedíamos.
e o barco ia desvendando a casa que já era toda conhecida.
tinha janelas e portas fechadas mas a escuridão que envolvia tudo era escuridão de sonho, onde tudo é claro. e o mais-escuro era o mar, a água revolta que eu via estar presa entre as paredes, mas que era tão imensa como se fosse o mundointeiro.
e cada virada do leme deixava pra trás uma lembrança da vida na casa - uma parede, um retrato. e a casa de três cômodos era como o infinito.
penso que me lembro que o destino era a outra-porta, que dava pra uma varanda, que dava pra muitas árvores, e pro mar. pra um mundo.
e tudo era despedida, e tudo era viagem, e imensidão.
[lembro que depois a história virou outra coisa.
mas não quero história, hoje. dessa noite, me ficou esse sonho. um sonho que eu queria filmar, não escrever. um sonho que eu teria pregado na minha parede, todas as noites. um sonho que eu viveria.
fica um suspiro: essa noite eu sonhei com o mar.]
(e o desejo de transformar o sonho em música, eu sorrio: já aconteceu.
e sonho, mais uma vez, ao som de yann tiersen)
ficou a imagem de um mar-inteiro dentro de uma casa.
uma imagem linda.
com um barco a navegar.
a casa - tenho certeza - era a beira-mar. tinha as paredes caiadas e os batentes de portas e janelas de um azul-céu.
o barco tinha as mesmas cores.
a porta era o porto, era cais,
de onde nos despedíamos.
e o barco ia desvendando a casa que já era toda conhecida.
tinha janelas e portas fechadas mas a escuridão que envolvia tudo era escuridão de sonho, onde tudo é claro. e o mais-escuro era o mar, a água revolta que eu via estar presa entre as paredes, mas que era tão imensa como se fosse o mundointeiro.
e cada virada do leme deixava pra trás uma lembrança da vida na casa - uma parede, um retrato. e a casa de três cômodos era como o infinito.
penso que me lembro que o destino era a outra-porta, que dava pra uma varanda, que dava pra muitas árvores, e pro mar. pra um mundo.
e tudo era despedida, e tudo era viagem, e imensidão.
[lembro que depois a história virou outra coisa.
mas não quero história, hoje. dessa noite, me ficou esse sonho. um sonho que eu queria filmar, não escrever. um sonho que eu teria pregado na minha parede, todas as noites. um sonho que eu viveria.
fica um suspiro: essa noite eu sonhei com o mar.]
(e o desejo de transformar o sonho em música, eu sorrio: já aconteceu.
e sonho, mais uma vez, ao som de yann tiersen)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
bárbaro
(nós vamos quebrar)
por mais uma vez, dessa única vez, eu queria me despir de tudo insincero, queria deixar os meios de lado e diretamente me dirigir a ela.
a você.
e eu te daria parabéns - por todas as vezes. e seria impossível na minha cabeça sua voz não cantar "aaaai, como eu queria" e meus olhos sorririam. não sei se você poderia ver. mas meus lábios também sorririam, e eu olharia para os seus, sorrindo também.
daí eu ia dizer que seu sorriso é lindo, que conheço ele dos palcos, assim como conheço seus traços, seus braços, suas pernas. como conheço sua voz e como ela é um suspiro dentro-de-mim.
e o meu coração estaria assustado, assim (como agora), de estar se revelando tão inteiro pra você.
mas eu ia dizer que era isso que eu mais-queria: poder te sorrir - sem ter mil pessoas dançando entre nós duas, sem pensar que a intenção poderia se perder no caminho e ir parar em outros olhos, que não os seus.
e diria que, sem saber de onde, eu tinha uma certeza de que poderia te fazer feliz.
você não saberia o que dizer. não diria nunca 'sim', mas não quereria dizer 'não'.
então eu te olharia fundo vendo dentro de ti minhas palavras virarem aos poucos um arrepio, e - bem de leve - um sentimento.
(para um novo amor chegar)
por mais uma vez, dessa única vez, eu queria me despir de tudo insincero, queria deixar os meios de lado e diretamente me dirigir a ela.
a você.
e eu te daria parabéns - por todas as vezes. e seria impossível na minha cabeça sua voz não cantar "aaaai, como eu queria" e meus olhos sorririam. não sei se você poderia ver. mas meus lábios também sorririam, e eu olharia para os seus, sorrindo também.
daí eu ia dizer que seu sorriso é lindo, que conheço ele dos palcos, assim como conheço seus traços, seus braços, suas pernas. como conheço sua voz e como ela é um suspiro dentro-de-mim.
e o meu coração estaria assustado, assim (como agora), de estar se revelando tão inteiro pra você.
mas eu ia dizer que era isso que eu mais-queria: poder te sorrir - sem ter mil pessoas dançando entre nós duas, sem pensar que a intenção poderia se perder no caminho e ir parar em outros olhos, que não os seus.
e diria que, sem saber de onde, eu tinha uma certeza de que poderia te fazer feliz.
você não saberia o que dizer. não diria nunca 'sim', mas não quereria dizer 'não'.
então eu te olharia fundo vendo dentro de ti minhas palavras virarem aos poucos um arrepio, e - bem de leve - um sentimento.
(para um novo amor chegar)
quarta-feira, 5 de maio de 2010
(re)volta
aceito voltar.
só o que não me passa são as obrigações, que não aceito.
e que não passam nunca, então. porque não (me)obrigo.
me abrigo em quartos escuros,
músicas altas,
versos perdidos de autores esquecidos e a plena certeza de que nunca serei poetisa.
(não sei, mas, se um dia eu for, direi que sou poeta.)
me abrigo em coisas-boas, na vida que eu alego pro mundo que não-posso-deixar-passar.
mas ela passa.
e eu passo e sequer olho pro lado.
eu olho pro mar - sempre.
[por isso os olhos dessa cor. uma indefinição de misturas: é só um reflexo confuso do que estou s(v)endo.]
então, me acabo.
(e salto - feito o mar estivesse em mim, por todos-os-lados)
só o que não me passa são as obrigações, que não aceito.
e que não passam nunca, então. porque não (me)obrigo.
me abrigo em quartos escuros,
músicas altas,
versos perdidos de autores esquecidos e a plena certeza de que nunca serei poetisa.
(não sei, mas, se um dia eu for, direi que sou poeta.)
me abrigo em coisas-boas, na vida que eu alego pro mundo que não-posso-deixar-passar.
mas ela passa.
e eu passo e sequer olho pro lado.
eu olho pro mar - sempre.
[por isso os olhos dessa cor. uma indefinição de misturas: é só um reflexo confuso do que estou s(v)endo.]
então, me acabo.
(e salto - feito o mar estivesse em mim, por todos-os-lados)
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