quarta-feira, 12 de maio de 2010

(naval)

sonhei essa noite. sonhei muito, que me lembre.

ficou a imagem de um mar-inteiro dentro de uma casa.
uma imagem linda.
com um barco a navegar.
a casa - tenho certeza - era a beira-mar. tinha as paredes caiadas e os batentes de portas e janelas de um azul-céu.
o barco tinha as mesmas cores.

a porta era o porto, era cais,
de onde nos despedíamos.
e o barco ia desvendando a casa que já era toda conhecida.
tinha janelas e portas fechadas mas a escuridão que envolvia tudo era escuridão de sonho, onde tudo é claro. e o mais-escuro era o mar, a água revolta que eu via estar presa entre as paredes, mas que era tão imensa como se fosse o mundointeiro.
e cada virada do leme deixava pra trás uma lembrança da vida na casa - uma parede, um retrato. e a casa de três cômodos era como o infinito.
penso que me lembro que o destino era a outra-porta, que dava pra uma varanda, que dava pra muitas árvores, e pro mar. pra um mundo.

e tudo era despedida, e tudo era viagem, e imensidão.

[lembro que depois a história virou outra coisa.
mas não quero história, hoje. dessa noite, me ficou esse sonho. um sonho que eu queria filmar, não escrever. um sonho que eu teria pregado na minha parede, todas as noites. um sonho que eu viveria.
fica um suspiro: essa noite eu sonhei com o mar.]

(e o desejo de transformar o sonho em música, eu sorrio: já aconteceu.
e sonho, mais uma vez, ao som de yann tiersen)

Nenhum comentário:

Postar um comentário