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deixa a saudade em repouso
(em estação de águas)
tomando conta
desse objeto claro
e sem nome.
terça-feira, 22 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
erro de premissa
me pergunto, então, o que fazer de mim. e tenho vontade de perguntar: isso ainda existe? "mim" ainda existe? eu ainda existo?
não sei quem poderia me responder. eu poderia me responder, se ainda existisse - e soubesse.
os olhos não sabem bem o que buscar, onde buscar. quando, de repente, meu olhar cruza inevitavelmente com meu corpo, tudo é uma surpresa tal que a pele se retrai e meus dedos procuram apalpar tudo o que está tão perto, sempre, tão presente, mas que não parece mais me pertencer. penso se é o corpo que não me pertence ou se eu não pertenço mais a ele.
você compreende?
eu costumava fazer tanto essa pergunta. cada-coisa que eu falava era seguida dela, a questão inevitável, a frase que implicitamente dizia: sim, há algo a compreender.
porque, então, naquele tempo, havia algo para se entender. eu tinha algo que precisava desesperadamente ser entendido pelos outros, porque eu já tinha entendido. tudo era tão claro em mim que a névoa em que me viam envolta me sufocava; eu tinha vontade de gritar: não é tão difícil assim, eu não sou tão difícil assim.
talvez (eu)não fosse.
hoje, porém, sou a última pessoa capaz de entender qualquer-coisa. qualquer coisa que deva ser compreendida.
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