terça-feira, 8 de dezembro de 2009

se eu agora pudesse te dizer tudo o que quero

eu pediria pra você ter calma, pediria para acreditar em mim.
provavelmente eu começaria a cantar mil versos de músicas, romances, filmes... de repente cairia dessa dança bem em frente aos seus olhos, me desculparia e voltaria a falar, de olhos baixos.
eu explicaria que, sim, eu tenho muita certeza, que estou te esperando, que vai dar tudo certo dessa vez.
mas, então, num aperto fundo de peito, diria que ainda-não, não agora. e - por trás das minhas lágrimas - procuraria um entendimento no seu olhar.
eu contaria todas as minhas (outras)histórias, eu te seria sincera como nunca fui comigo-mesma.
[eu teria medo.]
eu diria: eu tenho medo. (e seu não-abraço me faria estremecer.)
eu repetiria que não-agora, mas depois, sim, eu tentaria te fazer entender que é só uma ideia boba mas que há de ser certa, que nunca conseguimos passar por junho, por julho juntos. que é sempre por setembro que sinto falta de nós dois {em setembro, conheci minha mulher...} e que não quero nuncamais errar.
eu explicaria as minhas teorias, explicaria a minha prática - a sermos iguais.
eu perguntaria, assustada, se você também não acha que devemos esperar o mundo girar (e nós girarmos [n]o mundo) - as linhas tortas - antes de nos esquecermos [do que não fomos, do que somos, do que são os outros].
eu diria que agora entendo tudo, todos os motivos pra não termos dado certo, mas que não falaria àquela hora, não valia a pena doer tanto assim.
eu falaria: eu sei tudo.
você também saberia (de)tudo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

pour toujours

( )
quem me diz
da estrada que não cabe onde termina
da luz que cega quando te ilumina
da pergunta que emudece o coração

quantas são
as dores e alegrias de uma vida
jogadas na explosão de tantas vidas
vezes tudo que não cabe no querer

vai saber
se olhando bem no rosto do impossível
o véu, o vento, o alvo, o invisível
se desvenda o que nos une ainda assim

a gente é feito pra acabar - ah...
a gente é feito pra dizer - que sim
a gente é feito pra caber no mar - e isso nunca vai ter fim
[aaaaa(...)aaah]

http://www.youtube.com/watch?v=YogRHBKZY_8&feature=related

a gente é feito pra acabar

você vê?
novembro já vem acabar.
o ano tem ainda mês, mas depressa já muda.
eu vi que agora é praticamente só o dia-seguinte de todos-os-anos que passaram. que as pausas que fizemos foram as noites, os sonos, os despertares. realmente o que me separa do dia 21 de janeiro de 2007? o que me separa de outubro de 1998? o que me separa de você, de mim?
- um dia [um (meio)dia]

isso foi ontem -

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

o seu caso é o tempo passar

[queria poder ser um-pouco-menos autobiográfica]

será que você vai fugir?

{o perigo maior que é você}

o que pude ler naquele rosto foi:
ela já foi feliz.

e quis me perder em brincadeiras e invenções,
quis saber o que nela era felicidade, o que agora faltava,
mas não consegui. os olhos como as poças de chuva no chão me refletiam o céu e nunca, nem por um segundo, me davam a possibilidade de pensar em algo além de "ela já foi feliz" e de como o céu estava incrivelmente azul.

eu - estupidamente parada nesse pensamento que não era nada - de repente me lembrei de mim, lembrei de você, de como meus olhos deviam andar escuros naqueles tempos sem nós-dois. era uma sombra da gente, o que eu pensava que você era em mim.
talvez eu devesse voltar a ouvir los hermanos. talvez a saída fosse ir de vez embora. talvez o melhor fosse reler aquele livro já sem o seu nome pr'eu chamar.
resolvi ficar, ouvir los hermanos e inventar novos significados pras letras, ler outras histórias e dizer outros nomes.

as nuvens de chuva indo embora pelo céu azul refletido nos olhos da menina me foram uma felicidade fácil, úmida - e eu entendi que, sim, você na minha vida foi algo muito próximo à alegria.

domingo, 20 de setembro de 2009

domingo de pijamas, de pseudônimos.
há de ser tranquilo um dia que começa com música.
sonhei de novo com você. queria de novo estar na minha vida-inventada. eu corro atrás do que é realidade. a casa está toda florida - é uma verdade.

"Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself."

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

as a bird

meu pensamento saiu voando pela janela e acho que nuncamais vai voltar.

(me desculpe se você estiver por aqui tentando me encontrar: tomei todos os cuidados que podia pra não me ausentar, mas você sabe como é perigoso deixar um dia de quase-primavera ao alcance dos meus olhos.)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

i'm gonna miss you

e gosto que de repente eu dê assim um começo tão romântico, aparentemente.
pensei que acho que é assim: qu'eu vejo que isso entra tão fundo, tão-dentro de mim que vira tudo feito fosse romance mesmo, um caso-de-amor.

é que deixei de vergonha, da vergonha que as crianças e as outras línguas me dão, e disse, e então ela disse que também vai sentir minha falta. maya tão-pequena - com aquele blackpowerloiro, o pijama rosa e aqueles olhos castanhos que conheço faz (quase) tantotempo. pois posso ir visitá-los, ela me empresta a cama.
noah reconhece de longe, e tem aqueles mesmos olhos que entendem tudo.
zach naquele jeito de disfarçar, de ser todo bravo, orgulhoso, "nooo. go away!", mas abraçar e sorrir forte depois de tempo longe.

não quero a casa tão-quieta, de novo, depois.
[escuto passos pequenos de quem foge da cama, sorrio.]

queria chamá-los pra ver a lua hoje também: quase cheia, atrás de nuvens finas.

"ei, vem aqui! um beijo, boa-noite."

terça-feira, 11 de agosto de 2009

eu me penduraria assim de ponta-cabeça em um medo calado
(inacabado)

deve ter algum que sirva

do vazio que é aquele cd que eu deixei ficar com você pensando que seria sempre meu assim como você assim como eu, pensando que seria sempre a gente;

porfavorumaemoçãopequenaqualquercoisaqualquercoisaquesesinta

do tom de falar
o tom de gritar

em qualquer cruzamento
acostamento
encruzilhada
[socorro, eu já não sinto nada]

quarta-feira, 29 de julho de 2009

das inversões:

faz eu me sentir um garoto-apaixonado dos anos 70,
ouvindo beatles e cantando por aí "it's only love and that's all, why should i feel the way i do? it's only love and that's all, but it's so hard loving you..."

segunda-feira, 13 de julho de 2009

(far)

seria bonito dizer que era realmente como ele imaginava: só tocar as notas certas e andar mundo sentado no banco de seu piano, sendo trilha-sonora e viagem em um-só-tempo.

não era.

talvez na sua cabeça a música fosse forte desse jeito, talvez ele tivesse nascido pra sonhar as coisas mais-distantes, os absurdos mais possíveis e que faziam rir as pessoas mais sérias. talvez. mas, de verdade, na verdade, as coisas não eram tão simples assim.

algumas vezes ele já tentara sair do lugar dedilhando melodias difíceis e longas no teclado branco de seu instrumento, mas as maiores (e únicas) distâncias que ele percorria eram seus sonhos - os olhos fechados e o corpo e os dedos a mil: indescritivelmente ele já viajara por todas as cabeças e pensamentos de um mundo-todo. quando ele cantava, então, era como quando lhe contavam histórias, e ele ia fundo, ele se entregava às sílabas exatas da música, às vozes todas que eram uma só, a sua, sem fôlego e afinada.

à última vibração da última nota, ele abria seus olhos e não havia saído um dedo do lugar.
não se abalava - fechava novamente os olhos e começava a próxima aventura. assim passava horas viajando sozinho.

não era como ele imaginava.

era de outro jeito. nada simples. quando descobriu, nosso pianista ficou um tempo olhando seu velho piano como uma velha máquina. sinceramente, era um pouco óbvio que fosse assim. mas foi uma surpresa.
ele levou o piano até a rua, sentou desconfiado no banquinho, e experimentou algumas notas. nada (nada além de um começo-de-música).

experimentou, então, devagar, aquela velha sequência [ré-lá-ré-mi-fá-lá-fá-mi-ré-lá-ré-lá], o pedal alternando cada pequeno compasso, sustentando cada nova-nota e - aos poucos - movendo todo o corpo grande do piano e o banco com nosso surpreso músico.

(pausa.)

só o coração apressado marcando um pulso impossível.

os dedos tentaram uma melodia corrida, sem suspensões, sustentações, sustenidos... nada.

de novo então os pés se movendo num ritmo diferente do da melodia, feito numa pianola - os sons calados se sem o trabalho das pernas cansadas - com seus pedais mecânicos, a música sendo não só de mãos e teclas, mas uma combinação muito exata e difícil - e o instrumento voltou a andar.

voava pela rua, voavam; os dedos e os braços nas velocidades mais altas, os pés e o piano na tentativa de seguir a melodia que se espalhava pelo ar, que se atrasava com o vento que passava rápido por eles e jogava a música para trás - feito uma fumaça que saísse de um escapamento - enquanto ela os movia para a frente.

não era realmente como ele imaginava.
mas de repente ele podia ir ainda mais longe do que alguma vez sonhara;

segunda-feira, 22 de junho de 2009

inverno

"qu'eu tenho a certeza: vai pra sempre ser assim."

quinta-feira, 18 de junho de 2009

um, dois, três...

faz frio.

"faz o trabalho, analuiza!"

fez que onde for lá se encontre a flor que só há no coração,

quinta-feira, 4 de junho de 2009

(há um incêndio sob a chuva rala)

hoje era dia-de-feira, como da última vez;
como em todasasvezes, eu queria fugir, andava como se em direção à morte.
desviei o caminho, ia voltar, embora, outra-vez.

como nas raras-vezes - ela me puxou. chamou meu nome, voz-bem-alta. olhei pr'aqueles olhos-de-sono, castanhos amarelados de uma maneira que não consigo entender, pra boca de novo furada (tive vontade de contar que eu já a conhecia) e me senti envolvida naquele abraço.
como é que pode?
então eu disse tudo do jeito que eu 'tava sentindo. e ela engraçada falou que não queria ser exatamente aquilo que ela estava sendo. evitei um desentendimento e pedi pra ela dizer.
ela me contou, me explicou. foi diminuindo o meu desespero, cresceram vergonha-e-força dentrodemim. e quando eu piscava, desviando os olhos daquele rosto, ela continuava dizendo exatamente o que eu esperava ouvir. ela comparou arquitetura e poesia, ela revelou: (também) quer gritar. e tentou me mostrar um poema, leu numa fúria apressada maluca. era drummond. eu quase-disse: 'inda bem que mesmo com tanta-ordem a gente ainda sabe o que deve ler. eu tive vontade de falar: "agora sou vegetariana também!" tenho certeza de que ela sorriria um pouco sem-entender e pediria pr'eu contar a história.
e, nãoseicomo, ela encontrou os meus olhos (ia dizer "entrou nos meus olhos") e disse que achou eles um pouco quebrados. "é, sim." pois é simples dizer a verdade. ["viver às vezes cansa."] e daí ela citou um pouco errado white stripes, tentando traduzir, explicar, justificar. "quem disse que eu quero ser um homem?" sorri triste, ri. acho que, em todo o tempo, tudo o que eu falei foi "é, é bem-assim". e com medo de ser chata ela disse que eu poderia dizer, se eu quisesse, e eu disse que sabia disso - e sei, mesmo, sei bem. "eu acho que preciso ouvir" - eu falei.
então fui mandada embora, ela me abraçou forte de novo. eu disse "'brigada".

a gente nunca sabe o que é. lembro, então, de uma conversa nossa e das mil perguntas que eu fazia e ela só respondia "eu não seeei" numa aflição real, com uma vontade de gritar pro mundo, olhando fundo e dizendo "eu também não sei". (é diferente.) mas 'conversamos de tudo-do-mundo' e ela usou os hífens e me disse daquele jeito bonitinho. ouvi a música. me acalmo.

...até a próxima, então. porque quando tem ela tem essa força que me empurra, tem a verdade que vem, ela me dizendo "tudo bem" - toda-vez.

domingo, 31 de maio de 2009

como fugir daquele domingo terrivelmente imenso que lhe era oferecido?

(you can offer me escape)

pode descansar, agora.
a sua mão que eu procuro por baixo do cobertor.

e te encontro sem medo, sem dores,
só com certa urgência que vem desse querer tão-forte, tão-bem(querer),
e meu corpo é inteiro um desejo, um arrepio que eu te passo assim, delicadamente, só pelas pontas dos meus dedos.

esquenta, aqui, o meu desamparo,
vamos sonhar;

terça-feira, 26 de maio de 2009

mesmo que seja segredo

por ser simples assim: saber usar as palavras do jeito-certo.

(no tempo-exato)
essa saudade que tenho de contar o tempo e os compassos antes do meu instrumento entrar na música não faz sentido algum - é sempre assim o diainteiro: e a gente tenta entrar e seguir o pulso certo,
que a melodia não se perca em improvisações longas e sem-sentido.

não sei o que seguir se o relógio é metrônomo que não se repete, que gira em horas mas vai acabando o tempo-inteiro. (será que eu escutei o que ninguém dizia?) é tudo um silêncio sem passado -
e eu não queria esse-tanto de futuro pelafrente,

[pois me dê, ao menos, um ponto-pequeno que alongue esse instante]

saiba: todo mundo teve medo

sábado, 23 de maio de 2009

a gente jamais imagina
a vida
por trás da página

(alice ruiz)