segunda-feira, 22 de junho de 2009

inverno

"qu'eu tenho a certeza: vai pra sempre ser assim."

quinta-feira, 18 de junho de 2009

um, dois, três...

faz frio.

"faz o trabalho, analuiza!"

fez que onde for lá se encontre a flor que só há no coração,

quinta-feira, 4 de junho de 2009

(há um incêndio sob a chuva rala)

hoje era dia-de-feira, como da última vez;
como em todasasvezes, eu queria fugir, andava como se em direção à morte.
desviei o caminho, ia voltar, embora, outra-vez.

como nas raras-vezes - ela me puxou. chamou meu nome, voz-bem-alta. olhei pr'aqueles olhos-de-sono, castanhos amarelados de uma maneira que não consigo entender, pra boca de novo furada (tive vontade de contar que eu já a conhecia) e me senti envolvida naquele abraço.
como é que pode?
então eu disse tudo do jeito que eu 'tava sentindo. e ela engraçada falou que não queria ser exatamente aquilo que ela estava sendo. evitei um desentendimento e pedi pra ela dizer.
ela me contou, me explicou. foi diminuindo o meu desespero, cresceram vergonha-e-força dentrodemim. e quando eu piscava, desviando os olhos daquele rosto, ela continuava dizendo exatamente o que eu esperava ouvir. ela comparou arquitetura e poesia, ela revelou: (também) quer gritar. e tentou me mostrar um poema, leu numa fúria apressada maluca. era drummond. eu quase-disse: 'inda bem que mesmo com tanta-ordem a gente ainda sabe o que deve ler. eu tive vontade de falar: "agora sou vegetariana também!" tenho certeza de que ela sorriria um pouco sem-entender e pediria pr'eu contar a história.
e, nãoseicomo, ela encontrou os meus olhos (ia dizer "entrou nos meus olhos") e disse que achou eles um pouco quebrados. "é, sim." pois é simples dizer a verdade. ["viver às vezes cansa."] e daí ela citou um pouco errado white stripes, tentando traduzir, explicar, justificar. "quem disse que eu quero ser um homem?" sorri triste, ri. acho que, em todo o tempo, tudo o que eu falei foi "é, é bem-assim". e com medo de ser chata ela disse que eu poderia dizer, se eu quisesse, e eu disse que sabia disso - e sei, mesmo, sei bem. "eu acho que preciso ouvir" - eu falei.
então fui mandada embora, ela me abraçou forte de novo. eu disse "'brigada".

a gente nunca sabe o que é. lembro, então, de uma conversa nossa e das mil perguntas que eu fazia e ela só respondia "eu não seeei" numa aflição real, com uma vontade de gritar pro mundo, olhando fundo e dizendo "eu também não sei". (é diferente.) mas 'conversamos de tudo-do-mundo' e ela usou os hífens e me disse daquele jeito bonitinho. ouvi a música. me acalmo.

...até a próxima, então. porque quando tem ela tem essa força que me empurra, tem a verdade que vem, ela me dizendo "tudo bem" - toda-vez.