sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

sonho sem delírio

todo o nó que é angústia e dor, esse, que fica bem aqui no meio do peito, implodindo. é tanta coisa que ele não mais cabe - tudo se acaba. tudo permanece nada. e, então, o que resta de repente é um céu bem azul com algumas nuvens. lá, eu flutuo, com um sorriso de quem não pensa em coisa alguma. alma plena, inocente. vivo no paraíso.
não existe nada além. é quase uma descoberta, dá vontade de rir - o que vem depois de tudo é isso! e só aí percebo que oqueveioantes não mais está lá. não há lembrança. só imagens planas, bem lembradas, panos de fundo do que a minha cabeça pensa: . não há nada lá. nada aqui. e a leveza de agora (contraposta ao insuportável peso imediatamente anterior, angústia sólida anti-bigbang) é a sensação engraçada de não ser mesmo um corpo, mas o único espaço de ar em todo o universo: tudo é matéria, moldada em torno disso que é vácuo, que sou eu.
feito sob medida.

[bem distante
bem melhor
diferente e só]

Nenhum comentário:

Postar um comentário