segunda-feira, 4 de março de 2013

que horas você volta?

não me esperam mais. não tem ninguém do outro lado da porta espreitando a fresta, segurando a respiração pra escutar a minha, levantando a mão pra tocar a madeira ou entrar sem bater. não vem ninguém hoje me dar boa-noite, ajeitar o cobertor, deitar ao meu lado. ninguém vai me ouvir se eu chorar, ninguém vai me mandar dormir.

não espero mais. me deito pra dormir e só o que posso fazer é apertar bem os olhos, forçando pra que fiquem fechados, pra que não procurem uma luz, não busquem um som no meio do escuro. não seguro minha respiração pra escutar o silêncio, não pergunto "já dormiu?" nem preciso me virar devagar pra não acordar ______.

o coração ainda salta quando escuta o barulho de porta se abrindo. talvez seja uma porta a quilômetros de distância, talvez não seja nenhuma. os olhos se abrem e encontram o mesmo ar parado. de novo forçando as pálpebras, as luzes se dissipando, torço pra que logo, bem em breve, seja minha a porta que se abre.

[pergunto para o vazio: que horas você chega?]

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