e assim esse exagero que é cada despedida, essa sensação de que nada nunca vai ficar bem de novo, de que passado e futuro foram despedaçados - invenções largadas, mentiras, talvez. a vida sem fazer sentido nenhum, a beleza sem a menor graça, as escolhas inexistentes, os caminhos fechados e essa droga de consciência tão-viva, tão clara, sem sono ou devaneio, sem desmaios, sem poder desligar, sem descansar.
a casa vazia, o peito vazio, os dias arrastados.
por causa de você. sem você. a sensação de que tudo foi dito, a vontade de fazer mais-alguma-coisa, de segurar firme a última ponta que resta, a última coisa, um último beijo, o último adeus.
esse enjoo que dá só de pensar que um dia tudo-isso vai passar, que vai ficar tudo bem, que você vai esquecer e a vida vai seguir. tudo tão besta e à toa, tudo tanto, tão irritante. vontade de deixar de cuidados e gritar com você, de ser violenta e te puxar pelo braço, te deixar ver nos meus olhos o sangue vermelho e quente, essa dor, essa raiva, essa vida sem saída, essa porra desse amor que grita aqui dentro, que só quer ser paz, fazer bem, amor recusado.
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